A imigração alemã em São Leopoldo tem sua data de 25 de julho de 1824. O Museu de S. Leopoldo foi fundado só em 1959, 135 anos depois !!! Quanto objeto e documento já “foi jogado fora” neste mais de século !!! Telmo Lauro Müller, professor inteligente, com visão e conhecimento do valor da memória contida “nas coisas velhas...”; pegou seu carro e junto com alguns amigos de igual conhecimento e visão, foram à procura destes valores, em famílias que por felicidade haviam mantido em suas casas este patrimônio cultural. Este valor cultural muito focado hoje pelo IBRAM, Instituto Brasileiro de Museus, do Ministério da Cultura.
Este convite data entre 1933 e 1936.
Baseado nesta filosofia de guardar para manter a Memória passo um “papel velho” com uma só frase que contém uma página ou um capítulo inteiro de memória e história da Linha Imperial, Nova Petrópolis, sua vida cultural, escola, professor:
“ Werter Freund!
Die Nächste Theaterübung wird diese Woche am Dienstagabend stattfinden.
Mit hochachtungsvollem Gruss, Ihr
J.E. Wollmeister“.
Tradução: Caro amigo! O próximo ensaio de teatro será esta semana na terça à noite. Com respeitosas saudações,
Seu João Erwino Wollmeister.
A história contida neste convite: J. E. Wollmeister era o primeiro professor paroquial, brasileiro, formado, da Escola Paroquial S. Lourenço. Fez o curso no “Lehrer Seminar” em Hamburgo Velho, instituído pelo “Volksverein”, especialmente para ter bons professores paroquiais para os filhos dos agricultores. Além da atividade de magistério, os professores formados neste Seminário, dirigiam o coral da igreja, tocavam o harmônio e ensaiavam teatros instrutivos e de lazer para a comunidade. Para aumentar os dados históricos deste professor e sua influência na cultura da comunidade falta consultar os seus ex-alunos ainda vivos, todos entre 70 e 88 anos. Um “documento oral ” nos dá a ex-aluna em 1933, Senhora Rosa Grings, “ Die Grings Rôsa”, hoje morando em Porto Alegre, nascida em 1926, e formada professora estadual em 1944.
Ela conta que o pai deste jovem professor o trouxe de Arroio do Meio – RS, e o apresentou à comunidade de Linha Imperial pedindo que cuidassem bem dele. Clara Neumann, também octogenária, conta que o professor Wollmeister foi hospedado na casa deles, cujo pai Rudolf, também fôra professor comunitário; porém, eles tinham uma empregadinha, Elma Philippsen, uma linda jovem que já havia trabalhado e estudado no Colégio St. Catarina em Novo Hamburgo.
Conclusão: o padre vigário, para cumprir o pedido do pai do professor, sugeriu que o novato professor recebesse pousada na casa de Hugo Neumann, fotógrafo da localidade e irmão de Rudolf. Resultado: o pedido e preocupação do pai do jovem professor, e a responsabilidade passada à comunidade pela integridade moral do jovem, foram perfeitamente cumpridos. O jovem prof. J. E. Wollmeister e a bela empregadinha Philippsen casaram. Ela ficou conhecida com o afetuoso nome de “Lehras Elma”, ( a Elma do Professor) como eu a conheci, pois era prima de minha mãe Luiza Philippsen Schwaab. Interessantes cartas arquivadas no Museu Hillebrand documentam esta historia. |  | |